Instituto Agronômico faz recomendações para citricultores no inverno

Por Carla Gomes (MTb 28156) e Mônica Galdino (MTb 47045)  - Assessoria de imprensa IAC

O outono no Brasil é caracterizado pela falta de chuva, que se estende até o final do inverno, no estado de São Paulo. Essa condição exige que os produtores de citros tenham mais atenção com os pomares nesse período do ano. O Instituto Agronômico (IAC), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, alerta que a estiagem nos pomares paulistas pode causar estresse hídrico nas plantas e, neste caso, são necessários cuidados com a manutenção das frutas nas plantas, principalmente para as variedades de maturação precoce à meia-estação, que estão maduras justamente nessa época do ano.  O IAC completou 133 anos no dia 27 de junho e a citricultura paulista tem sua estrutura baseada nos resultados de trabalhos do Instituto.

O estresse causado pelo déficit hídrico e pelo frio é necessário para que os citros floresçam abundantemente, a partir de setembro. Por isso, o citricultor só deve irrigar suplementarmente seus pomares, no inverno, em casos extremos de seca, evitando a queda das frutas.

Nesse período, diversas variedades de citros estão em fase de colheita. Nos meses de maio e junho, destaca-se o final da colheita das laranjas precoces, como Hamlin, Westin, Rubi e outras. Também nesses dois meses, tem-se o início da colheita de laranjas de maturação de meia-estação, com destaque para a Pêra.

“Dentre as tangerinas, estamos em plena colheita da tangerina Ponkan, frutas que estão, no momento, em grande disponibilidade aos consumidores, por isso, além dos cuidados com a manutenção das frutas nas plantas, os citricultores devem seguir as recomendações técnicas de colheita para cada espécie”, diz Fernando Alves de Azevedo, pesquisador do IAC, da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA).

Na citricultura paulista, a colheita é feita manualmente, dependendo exclusivamente de mão de obra especializada, que muitas vezes vem de outros estados, principalmente da região Nordeste do país. Este ano, em decorrência da pandemia da COVID-19, o setor está apreensivo com a colheita. Para evitar atrasos, estão sendo feitas adequações, principalmente em relação à segurança dos colhedores, para não comprometer o abastecimento, principalmente das indústrias.

Segundo Azevedo, para uma colheita eficiente, o citricultor deve se ater aos procedimentos adequados para cada espécie. Ele relata que os frutos destinados à indústria são acondicionados em caixas ou sacolas de 27 kg, sem muitos cuidados que evitem o amassamento dos frutos. Já para o consumo in natura, a cautela é maior. “Quando se colhe uma tangerina para mesa, deve-se utilizar tesouras, cortando o pedúnculo individualmente, o mais curto possível, para uma fruta não machucar a outra”, diz.

Os trabalhadores acondicionam as tangerinas em sacolas ou caixas, evitando exceder 20 kg de frutas. “Na citricultura de mesa há maior cuidado durante a colheita para não amassar os frutos e também o uso de caixas e sacolas menores para guardá-los, de modo a facilitar a seleção por tamanho e cor”, diz o pesquisador do IAC.

Para evitar contaminações das frutas por pragas e doenças, outra recomendação é não deixar as frutas no solo. Após a colheita, o encaminhamento para a packing house ou a indústria deve ser feito o mais breve possível e as frutas devem permanecer sempre na sombra.  “As frutas cítricas têm uma boa vida de prateleira, entre a colheita e o envio para as gôndolas dos mercados correm cerca de quatro a cinco dias e elas ainda podem ser consumidas com qualidade por até 3-4 semanas após a colheita”, conta.

De acordo com o pesquisador do IAC, há projetos para viabilizar a mecanização da colheita na cultura, porém ainda são apenas protótipos. “Fora do país, principalmente na Flórida, é mais comum colherem laranjas para a indústria de forma mecanizada”, afirma.

 

133 anos de presença do IAC: do café da manhã ao jantar dos brasileiros

O Instituto Agronômico celebra seus 133 anos com a certeza de estar presente no cotidiano de todo brasileiro. Dê uma olhada ao seu redor e verá que tem um resultado de pesquisa do IAC. O cafezinho, o suco, o açúcar, o pão, o bolo e as frutas que possam estar no despertar do dia vieram do campo. No almoço, arroz, feijão, óleo, hortaliças e ervas que temperam as receitas também têm origem nas lavouras. E o mesmo se repete no jantar e nos lanchinhos. Vêm do campo também o leite, a manteiga, o queijo e a carne, lembrando que os animais que originam a matéria-prima desses produtos são alimentados à base de milho, soja e forrageiras. E no chocolate tem o cacau! Nas roupas, o algodão. No carro, o etanol e nos pneus, a borracha das seringueiras. Os produtos agrícolas estão nas matérias-primas de muitos produtos indispensáveis no cotidiano.

Em todos esses momentos estão presentes tecnologias geradas pelo Instituto Agronômico (IAC), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, que desde 1887 mantém atuação ininterrupta. Sediado em Campinas, o IAC gera tecnologias que dão suporte às agriculturas paulista e brasileira.

“Comemoramos os 133 anos desse Instituto, que em mais de um século traz benefícios à agricultura brasileira, que serviu e serve de modelo para o funcionamento da pesquisa agrícola em todo o Brasil”, diz Marcos Antônio Machado, diretor-geral do IAC.

Dentre os resultados estão 1.103 cultivares de 100 espécies, além de pacotes tecnológicos que envolvem desde o plantio à pós-colheita, incluindo estudos de solo, clima, praga, doenças e segurança e eficiência no controle químico.

A ciência agronômica gera tecnologias que contribuem para elevar a produtividade das lavouras e a qualidade dos produtos, com redução de custo de produção e de impacto ambiental. A cada novo resultado do IAC o setor agrícola passa a contar com tecnologias que atendem de forma mais completa às necessidades da agroindústria e às exigências dos consumidores. “O IAC desempenha um papel extremamente relevante para a agricultura brasileira e é um patrimônio paulista e nacional”, diz Machado.

O Instituto é referência em melhoramento genético convencional de plantas agrícolas, ao mesmo tempo em que participa de programas de pesquisa de genoma, transgenia e cisgenia, em parceria com redes nacionais e internacionais.

 

 

Sede do Instituto Agronômico (IAC)
Avenida Barão de Itapura, 1.481
Botafogo
Campinas (SP) Brasil
CEP 13020-902
Fone (19) 2137-0600