Desafios, parcerias e comunicação foram debatidos na live Inovações em cana-de-açúcar

Por Carla Gomes (MTb 28156) – Assessora de imprensa IAC

A live Inovações em cana-de-açúcar, promovida pela Embrapa Agroenergia, reuniu especialistas de diversas instituições, em 16 de julho de 2020. Além do pesquisador do IAC, participaram Antonio Salibe, presidente executivo da União Nacional da Bioenergia (UDOP), Leandro Amaral, diretor de negócios da Syngenta, Diego Ferres, gerente de P&D do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), Luis Henrique Scabello de Oliveira, presidente da Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana), João Bespalhok, coordenador de biotecnologia da  Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético (Ridesa), Hugo Molinari, pesquisador da Embrapa Bioenergia, e João Ricardo, chefe de P&D da Embrapa Agroenergia.

O debate abordou os principais desafios para o uso da biotecnologia na canavicultura. Para Landell, o custo da biotecnologia restringe a sua aplicação e utilização na área de produção. Apesar disso, a partir de 2005, o Programa Cana IAC iniciou estudos com marcadores moleculares, mapeamento genético, metodologias e diagnósticos, como finger print, sanidade e outros.  “Alguns de nossos diagnósticos são os mais usados pelos produtores”, afirma.

Landell destacou a importância de se aprofundar no conhecimento básico da cana-de-açúcar para, no futuro, utilizar ferramentas poderosas como a edição gênica e associá-la ao esforço que vem sendo realizado no projeto de melhoramento genético. “Ela vai casar perfeitamente com o melhoramento genético da cana e devemos usá-la visando à produtividade da canavicultura”.

Para o pesquisador do IAC, o setor sucroenergético está diante de uma oportunidade com o avanço da biotecnologia como um todo e o importante é contextualizá-la com aspectos palpáveis da cultura. “Nós temos um verdadeiro pré-sal biológico, com possibilidades reais de produzir algo como 10 mil litros de etanol, por hectare”, destaca Landell.

Ele acredita que, ao atingir esse patamar, o produtor terá recursos inclusive para financiar a pesquisa. O líder do Programa Cana IAC defende a visão agregada do setor, de modo a mostrar como os elos se complementam para fortalecer a canavicultura de alta produtividade.

Amaral comentou sobre como a biotecnologia e outras tecnologias podem contribuir para aumentar a competitividade e os ganhos de eficiência agronômica em relação a outros países e a outras culturas bioenergéticas, como a beterraba. “O setor de cana tem grande oportunidade de endereçar questões globais”, disse ao mencionar também a sustentabilidade e a comunicação.

A parceria entre instituições foi bastante comentada pelo grupo. Para o diretor de negócios da Syngenta, nos últimos três anos, o setor está bastante envolvido em ações colaborativas e ainda tem espaço para isso.

Bespalhok comentou que, em futuro próximo, a RIDESA poderá lançar transgênico em cana com parceiros. Segundo ele, a transgenia é um grande desafio, considerando as características da espécie, que dificultam os trabalhos genéticos. Para ele, os investimentos das multinacionais nas pesquisas genéticas com soja, milho e algodão tiveram um papel importante. 

A qualidade da fibra da cana foi destacada por Scabello, ao ressaltar que a biotecnologia está envolvida não somente na questão quantitativa da cultura, mas também qualitativa. O presidente da Feplana disse que é necessário fortalecer a interface entre produção, pesquisa pública e privada, pesquisa básica e não somente a aplicada, além de destacar o ensino.

Sobre investimentos em transgenia no setor sucroenergético, Ferres comentou que a cana é, no cenário mundial, uma cultura de menor representatividade no chamado Primeiro Mundo. Isso acaba inibindo investimentos desses países em pesquisa e a associação deles ao esforço da pesquisa brasileira nesse setor. “Estamos sozinhos”, resumiu.

Molinari alertou para a necessidade de a pesquisa aprender com outras culturas, considerando que os organismos geneticamente modificados (OGM) existem há 24 anos no mundo e há 22, no Brasil. Para ele, não só o produtor irá lucrar com os transgênicos. O pesquisador da Embrapa mencionou que, em 15 anos, para cada dólar investido em transgenia, o retorno foi de US$ 4,42, conforme dados divulgados nos últimos dias. “Em ganhos ambientais, foram retirados 23 bilhões de quilos de CO², o que equivale a tirar das ruas 15,3 milhões de carros”, disse, ao mencionar estudo publicado recentemente na revista britânica PG Economics.

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