Pesquisa mostra alterações no consumo do café causadas pela pandemia

Por Carla Gomes (MTb 28156) – Assessora de imprensa – IAC

Seu dia começa com café? Então pode fazer um brinde porque hoje, 1° de outubro, é o Dia Internacional do Café. Em comemoração a esta data, esta semana foi divulgada uma pesquisa em relação aos hábitos de consumo de café no Brasil. O estudo, conduzido em parceria entre o Instituto Agronômico (IAC) com o Instituto Axxus e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), foi realizado em 2019 e repetido em setembro de 2021. O relatório mostra mudanças de hábitos de consumo do café provocadas pela pandemia da COVID-19. Sim, o brasileiro tomou ainda mais café. Mas por conta do home office e do isolamento social, as alterações variaram desde o local onde a bebida foi mais degustada até a opção por produto de menor preço, comparando dados da primeira com a segunda edição da pesquisa.

O pesquisador do IAC, Sérgio Parreiras Pereira, conta que a divulgação do relatório nesta semana tem por objetivo comemorar a data, celebrada desde 2014. “Há sete anos os membros da Organização Internacional do Café vêm trabalhando esse Dia Internacional do Café para valorizar a bebida de qualidade e incentivar a manutenção do seu consumo”, diz o cientista do IAC, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo.

Comparando os dados da pesquisa de 2019 com a de 2021, verificou-se que na pandemia parte dos consumidores tomaram ainda mais café. Nesse grupo, 72% dos entrevistados declararam que o café ajudou a superar os piores momentos da pandemia.

Os dados do estudo confirmam que o café é a segunda bebida mais consumida no Brasil, ficando atrás apenas da água. Os pesquisadores afirmam que o consumidor demostra uma relação emocional com o produto, que é associado a um dos prazeres da vida, além de ser visto como uma forma de melhorar o humor e a disposição no dia a dia.

 “A pesquisa demonstra que o café, deixa de ser algo tangível, como uma bebida, um grão ou um pó e incorpora cada vez mais, a dimensão imaginária, repleta de significados, de sentimentos e emoções, que deverão ser consideradas pelas industrias em seus planos de marketing e de comunicação”, traz o relatório da pesquisa com participação do IAC, da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA).

Dentre os objetivos do estudo conduzido estão:  conhecer as percepções, opiniões, preferências e objeções dos consumidores em relação ao consumo do café; saber como e quando o café está presente no dia a dia das pessoas e identificar possíveis mudanças nos hábitos de compra e de consumo decorrentes da pandemia, entre 2019 e 2021. A pesquisa ouviu 4.074 pessoas, sendo 55% mulheres e 45% homens, em todas as regiões do Brasil. O nível de confiança do estudo é de 99% de confiança e margem de erro de 2%.

Nas entrevistas feitas presencialmente, trabalharam 180 entrevistadores, alunos de mestrado e doutorado das melhores universidades do Brasil, com experiência em pesquisas qualitativas. As entrevistas foram feitas presencialmente.

Comparando os dados de 2019 com os 2021, notou-se aumento de 5% no número dos que gostam e gostam muito de café e redução de 5% dos consumidores que não o tomavam. Este ano, houve aumento no consumo em todos os horários. A maior ingestão da bebida é ao acordar, seguida do período da manhã. O consumo cai ao longo do dia: após o almoço, durante a tarde e à noite.

Com a pandemia, o maior consumo de café deixou de ocorrer no trabalho e passou a ser em casa. Em 2019, o trabalho liderava o local de tomar o cafezinho, em 2021 ele caiu para a terceira posição. Este ano, o maior consumo se deu em casa e na residência de parentes e amigos. As cafeterias, bares e restaurantes passaram da terceira posição, em 2019, para a quarta, em 2021, como o local onde mais tomaram a bebida.

Também em 2021, houve acréscimo de 13% do grupo que declarou ter aumentado o consumo. Esse dado, registrado em em plena pandemia, mostra como a bebida está relacionada aos hábitos, emoções e circunstâncias do cotidiano do brasileiro.

Como a COVID-19 afetou os hábitos de consumo de café no Brasil

Quanto aos critérios de escolha chama a atenção a variação dos dados relacionado às compras registrados na pesquisa de 2019 e 2021. Este ano, 21% afirmaram comprar o café mais barato, em 2019 somente 7% disseram optar pelo produto de menor preço. No grupo que afirmou comprar a marca de menor preço, dentre as que preferem, o índice passou de 31%, em 2019, para 38%, em 2021.  Esse cenário mostra o reflexo das dificuldades financeiras trazidas pela pandemia da COVID-19. Outro índice que reforça esse resultado está no grupo que compra a marca que prefere, independentemente do preço – estes caíram de 26%, em 2019, para 12%, em 2021. Aqueles que só compram o produto em promoção eram 6% em 2019 e subiram para 11% este ano.

As motivações para tomar café variam desde melhorar o humor e a disposição, passando por ritual, prazer e bem-estar; momento para pausa, reflexão e paz; degustar e saborear a bebida até a oportunidade de interagir com pessoas. Esta última, na pandemia, cedeu lugar ao momento de pausa.

Em relação à qualidade do café atestada por selos, comparando um produto sem selo com outro com selo, 81% dos entrevistados acreditam ser melhor café certificado.

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